Eu sempre estou pronto para resolver os problemas. Eu sempre me ofereço para fazer o que precisa ser feito. Eu sempre estou presente quando as pessoas dependem de mim. Eu sempre faço muito mais do que o necessário.
Eu me esforço pra caramba, mas as pessoas só veem as minhas falhas.
Antes eu só aceitava quieto as pessoas passarem por cima de mim. Depois comecei a me impor mais, bater o pé para as pessoas me ouvirem e não ser injustiçado. Eu sei que esse é o certo, o justo, mas as pessoas não reagem bem quando há alguma resposta do outro lado.
Eu me esforço pra caramba, mas as pessoas só veem as minhas falhas.
Antes eu só aceitava quieto as pessoas passarem por cima de mim. Depois comecei a me impor mais, bater o pé para as pessoas me ouvirem e não ser injustiçado. Eu sei que esse é o certo, o justo, mas as pessoas não reagem bem quando há alguma resposta do outro lado.
-Ei, você vai com a gente? - desviou os olhos do caderno e viu o grupo de pessoas barulhentas conversando animadamente sobre qualquer coisa irrelevante, uma delas estava parada esperando uma resposta.
-O quê? Onde?
-O que você tá escrevendo aí, hein? - ela se aproximou, os olhos curiosos enormes no livrinho sobre a mesa dele.
- Não é nada. É coisa minha. - incomodava a postura agressiva da menina, mas ele não tentou esconder o que estava fazendo. Na verdade, desejou secretamente que ela lesse tudo aquilo o que ele estava sentindo.
Mas a postura fria a afastou.
- Ah, tá... Bom, a gente tá indo na pastelaria, você quer ir também?
- Não, valeu. Eu acho que vou pra casa.
-Tá bem! Tchau!
Ele ficou parado olhando a menina se afastar sem olhar para trás. Saíram da sala e o barulho foi diminuindo até o silêncio total. Se foram.
Só queria que sentissem a minha falta uma vez. Talvez sentir que eu fosse importante, que fizesse alguma diferença. Acho que isso nunca vai acontecer. Talvez seja hora de voltar a ficar quieto de novo.