domingo, 6 de dezembro de 2015

Da falta de reconhecimento e o cansaço.

Eu sempre estou pronto para resolver os problemas. Eu sempre me ofereço para fazer o que precisa ser feito. Eu sempre estou presente quando as pessoas dependem de mim. Eu sempre faço muito mais do que o necessário.
Eu me esforço pra caramba, mas as pessoas só veem as minhas falhas.
Antes eu só aceitava quieto as pessoas passarem por cima de mim. Depois comecei a me impor mais, bater o pé para as pessoas me ouvirem e não ser injustiçado. Eu sei que esse é o certo, o justo, mas as pessoas não reagem bem quando há alguma resposta do outro lado.
-Ei, você vai com a gente? - desviou os olhos do caderno e viu o grupo de pessoas barulhentas conversando animadamente sobre qualquer coisa irrelevante, uma delas estava parada esperando uma resposta.
-O quê? Onde?
-O que você tá escrevendo aí, hein? - ela se aproximou, os olhos curiosos enormes no livrinho sobre a mesa dele.
- Não é nada. É coisa minha. - incomodava a postura agressiva da menina, mas ele não tentou esconder o que estava fazendo. Na verdade, desejou secretamente que ela lesse tudo aquilo o que ele estava sentindo. 
Mas a postura fria a afastou.
- Ah, tá... Bom, a gente tá indo na pastelaria, você quer ir também?
- Não, valeu. Eu acho que vou pra casa. 
-Tá bem! Tchau!
Ele ficou parado olhando a menina se afastar sem olhar para trás. Saíram da sala e o barulho foi diminuindo até o silêncio total. Se foram. 
Só queria que sentissem a minha falta uma vez. Talvez sentir que eu fosse importante, que fizesse alguma diferença. Acho que isso nunca vai acontecer. Talvez seja hora de voltar a ficar quieto de novo.