domingo, 25 de setembro de 2016

Califórnia (2015) - Marina Person

      Antes de tudo, começo dizendo que essa é a primeira vez que estou escrevendo alguma coisa relativa a uma "crítica cinematográfica". Não considero esse amontoado de pensamentos uma crítica justamente porque são amontoados de pensamentos. Não tem nada certo, o filme não me dá nenhuma certeza a respeito de nada, mas ainda assim sinto que preciso exercitar o lado cineasta que exige que os pensamentos sejam registrados e expressos publicamente em algum lugar.
      Acabei de ver "Califórnia", dirigido pela Marina Person. 
Escolhi ver esse filme primeiro porque é dirigido por uma mulher, segundo porque é brasileiro, e terceiro (mas talvez o mais importante) porque ando sendo uma vergonha para a juventude de cinéfilos. Talvez eu tenha visto 40 filmes esse ano, e esse é um número tão pequeno que chego a ter vergonha de dizer que estudo cinema. 

      De qualquer forma, vamos ao que menos importa: o filme.




       Califórnia é sobre os anos 80, sobre jovens cruéis e caretas e sobre sofrimento. A protagonista é a típica adolescente que não se encaixa em lugar nenhum, mas se esconde num grupo de adolescentes terríveis que nada sabem da vida, mas tem várias certezas sobre tudo (no caso, como qualquer outro adolescente de hoje em dia). 
       Não me interessa muito hoje falar sobre o roteiro. Na verdade o roteiro é o que menos me interessa. 
Achei até quase na metade do filme que não estava gostando de nada, que o roteiro não era interessante, que o som era terrível, que os atores estavam em níveis ou estilos diferentes e parecia que eu estava perdendo o meu tempo vendo aquilo. Mas percebi que talvez o problema fosse o orçamento. Dei mais uma chance pra Califórnia e acho que foi bom.
       Veja bem, é um filme cheio de boas intenções! O som é terrível, isso não tem perdão. Mas ainda assim, os momentos de pior som são as externas em lugares bem movimentados, no centro de São Paulo. Isso porque ele foi terrivelmente dublado, mas a razão pra dublagem me dá uma pontinha de conforto. 
       O desenhista de som teve a preocupação de lembrar que os sons dos automóveis de hoje não são os mesmos que nos anos 80. Então a dublagem é feita porcamente só pra que seja mixada junto de um bg de trânsito de carros da época. Isso é lindo! Talvez se tivessem mais dinheiro pra lidar com a pós de som, o filme ficaria mais bem acabado; mas isso acho que não importa mais. 
       Outra coisa que eu gostei foi como os insertes de imagem de arquivo não empobreceram o filme. Não que filmes com insertes do tipo fiquem ruins, em geral, mas nesse caso especialmente a diretora optou por aproximar esteticamente as imagens de arquivo da imagem captada pro filme, e se não tivesse sido bem feito, poderia ter feito o filme ficar insuportavelmente horrível. 

       Acho que já chega de falar imbecilidade sobre coisas que não domino completamente (apesar de que depois de 3 anos de faculdade eu já devesse saber o que estou fazendo, não é?). Quem sabe no próximo filme eu não diga tanta besteira.