Depois daquilo não restaria nada. nem obra nem autor. se revirava sem mover um músculo. tinha imaginado os resultados, todo o reconhecimento ou ao menos uma confiança inabalável que viria de si mesmo pra nunca mais ir embora, tinha imaginado tantas vezes o
futuro hostil, mas era sempre uma fantasia, um quadro desfocado a ser posto na frente de tudo apenas para que pudesse se manter trabalhando ou fingindo que fazia alguma coisa. agora parecia que boa parte ou tudo perderia seu sentido. Chutou uma lata. era estranhamente libertador,
uma pena que fosse tão tarde da noite( na real nem tinha lata porra nenhuma), Tarde de mais para sair e fazer alguma coisa, já que não saía de noite nem fodendo.
Uma porrada de passarinhos minúsculos brotou não se sabe até hoje da onde, fizeram algumas elipses e sumiram, pareciam passarinhos pelo menos e tava escuro.
Uma substância invisível escorreu das coisas e dos prédios lá no fundo, se instalou no chão, nos olhos, na garganta; pra se acumular e fazer um nó que não o do choro , era outro. os olhos: sentia eles cheios de areia; sem sentir vontade de esfregá-los.. Andava em círculos para relembrar os tempos em que o fazia acompanhado, dividindo silêncio. O que diriam todos se o vissem ali? todo o pessoal na foto, atrás deles o nó, aquele rasgo que ardia do pé até cabeça de um jeito tão daora que tirava o peso do resto....
- Caraio, que viaje.
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