quarta-feira, 9 de março de 2016

De quando você mata o vício.

Sentia seu coração parando aos poucos.
Ela sabia que estava indo por um caminho estranho, mas a sensação de estar perdida sempre teve um gostinho excitante até ali. Respirou fundo três vezes, como ele havia me ensinado, e começou a escrever.

" Olha, foi legal o tempo que passamos juntos.
Você mexe muito comigo, mas eu tive tempo suficiente pra aprender as coisas. 

Eu sei que você tá cansado e não quer nada sério comigo, mas tá tudo bem.
A gente pode só ser amigo se você quiser. Dá pra fingir que a gente se esbarrou sem querer na rua,  ficamos amigos e nada aconteceu.
Se um dia você estiver na cidade e quiser sair pra beber e conversar sobre outros relacionamentos, eu vou estar por aqui pra te ouvir chorar as pitangas. "


Não notara que estava segurando a respiração até a última palavra, quando soltou todo o ar e sentiu uma sensação gostosa de vertigem. Na verdade, era difícil dizer se a vertigem era por conta da falta de oxigênio ou por ter se livrado do peso que era sofrer por aquela pessoa confusa.
Havia passado pelas três semanas mais obscuras do ano, morrendo de medo de que ele encerrasse aquele pseudo-relacionamento, mas por fim a decisão era toda dela.

A verdade era que ela estava com muito tesão.
Acordou naquele dia cheia de fogo, mas ele não tinha tempo. Tinha tempo para cuidar das suas coisas, do seu trabalho, dos seus amigos, do seu próprio tesão, mas não tinha tempo para ela.

Puta desperdício, ela chegou a dizer para ele, mas não teve nenhuma reação do outro lado. Se ele quisesse, ela teria pegado o primeiro ônibus para encontrar com ele e acabar com a saudade; mas ele não quis.
Ela abriu fotos de mulheres maravilhosas, flertou com o cara da internet, mandou foto pelada, e depois decidiu que queria era mandar o namorado pra puta que o pariu e beijar toda aquela gente que a queria cheia de fogo na cama deles.

Quem sabe a gente ainda não se esbarra?, ele respondeu, Você me faz bem.
Jogou o celular de lado, se enfiou debaixo das cobertas e foi se amar.

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