Hoje eu acordei ofegante. Tive um sonho incrível e medonho.
Eu estava no quarto de uma casa desconhecida, completamente perdida. Eu não sabia quem eu era e porque eu estava ali. Em volta de mim haviam malas e muitas roupas e joias espalhadas pelo chão e uma cama de casal king size. Na minha frente, estava uma criança muito bonita, de cabelo cinzento comprido e olhos enormes e da cor dos olhos de uma cobra, só que num tom um pouco mais aguado.
Olhei em desespero para ela, tentando entender o que estava acontecendo, e ela logo entendeu.
"Acho que acabou o feitiço de novo, né? Fica tranquila, você trabalha pra minha família."
Por alguma razão aquelas palavras de fato me tranquilizaram. Aquela criança estranha sorriu para mim, e eu sorri de volta. Olhei em volta de mim de novo, e entendi que deveria guardar aquelas coisas dentro da mala. Comecei o meu trabalho com a sensação de que já fizera aquilo milhares de vezes.
Nas malas eu tinha que guardar muitas roupas e tecidos, mas não porque eles precisavam delas. Aparentemente eram as joias que importavam, as roupas eram só uma forma de assegurar que não se quebrassem no trajeto.
Continuei minha tarefa por um bom tempo. Pessoas entravam e saíam daquele quarto falando coisas estranhas. Depois descobri que haviam outras pessoas como eu, trabalhando para eles - todos eram tratados como escravos ou algo ainda pior.
Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas aos poucos fui recobrando a lucidez. Eu ainda não sabia quem eu era, mas ao menos tinha certeza que a natureza daquelas pessoas tão bonitas não era a mesma que a minha.
Subitamente escutei um grito no andar de baixo. Os gritos se aproximavam, até que uma pessoa entrou no quarto desesperada. Nesse momento estávamos sós no quarto. Era um rapaz magro, baixo e forte. Seus olhos estavam arregalados de horror, fixos nas joias que eu estava embalando. Alcançou o objeto mais próximo de si, um castiçal de ouro com cristais penduricados, e algo muito estranho aconteceu. Aquele homem, que havia chegado àquele quarto tomado de pânico, desaparecera diante dos meus olhos como se nunca estivesse ali.
Fiquei alguns segundos pasma olhando para o lugar onde ele estava instantes antes, e foi assim que o patriarca daquela família sinistra encontrou o pobre rapaz. Um ser horrível entrou pela porta. Eu sabia que era alguém relativo àquela criança que estivera ao meu lado. Seus cabelos também eram compridos e cinzentos e seus olhos tinham uma cor feia e aguada. Porém seu rosto estava desfigurado, como de um monstro. A boca parecia a de um demônio, enorme e cheia de dentes. Não tinha os chifres do diabo, mas as asas sim. A pele, que da criança era pálida e cremosa, tinha um aspecto morto, cheio de veias saltadas.
Agarrou o ar com suas garras e vi o rapaz ser arremessado para o outro lado do quarto, deixando cair o castiçal e quebrando os cristais em mil pedacinhos.
Os demonios que antes caçavam o homem na minha frente voltaram a ser seres belíssimos e plácidos. Correram em direção ao castiçal tentando salvar a joia de alguma forma, mas estava arruinada. O rapaz, caído ao meu lado, estava morto.
Olhei novamente para a mesma criança que estava ao meu lado e ela novamente sorriu para mim.
"Está tudo bem."
Retribuí o sorriso e voltei à minha tarefa.
quinta-feira, 28 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
De quando você toma propanolol.
Propanolol. A arma mais usada pelo homem para eliminar problemas. Um comprimido e todas as frustrações desaparecem.
Se você continuar tomando isso, vai ficar viciada nessa merda. Sua mãe era contra o uso de fármacos. Ela dizia que as piores drogas eram vendidas na esquina, no boticário.
Caiu na desgraça de se apaixonar e ficou assim: burra e vulnerável. Não tinha ideias suicidas, mas permitia que fizessem qualquer coisa com ela.
Você pode terminar esse trabalho pra mim? Vamos no culto essa semana? Quer vir aqui em casa tomar um café?
Estava se matando aos poucos sem que percebesse.
Queria dar fim ao sofrimento todo, mas ainda alimentava um pingo de esperanças que dali um tempo a vida ficasse melhor.
Encheu o copo d'água e levou à boca outro comprimido.
Se você continuar tomando isso, vai ficar viciada nessa merda. Sua mãe era contra o uso de fármacos. Ela dizia que as piores drogas eram vendidas na esquina, no boticário.
Caiu na desgraça de se apaixonar e ficou assim: burra e vulnerável. Não tinha ideias suicidas, mas permitia que fizessem qualquer coisa com ela.
Você pode terminar esse trabalho pra mim? Vamos no culto essa semana? Quer vir aqui em casa tomar um café?
Estava se matando aos poucos sem que percebesse.
Queria dar fim ao sofrimento todo, mas ainda alimentava um pingo de esperanças que dali um tempo a vida ficasse melhor.
Encheu o copo d'água e levou à boca outro comprimido.
De quando ele quis tudo.
Carlos apertou a bunda dela com vontade.
Ele queria mais. Mais que aquele corpo sob o seu, ele queria tudo. Queria tocar a extensão daquela pele clara indefinidamente. Tinha necessidade de estar colado a ela, e não entendia. Ele precisava dela ainda mais colada a ele. Mesmo o espaço entre os corpos entrelaçados naquele momento era grande demais. Mas se continuassem daquele jeito, ela é quem teria tudo e iria embora.
Desprendeu-se do beijo dela, fazendo-a gemer baixinho.
-Não. É melhor a gente ir devagar...
Ela apertou seus braços e o abraçou bem forte, puxando-o para perto de novo. Depois cravou suas unhas nas costas dele e começou a beijar seu pescoço. Carlos sentiu seus osso derreterem, mas manteve-se firme e se afastou dela novamente.
A menina fez uma cara emburrada e confusa. Carlos se sentou na cama ao lado dela.
-A gente tá indo muito rápido...
-Mas eu quero. Você não quer? - ela tinha uma expressão frustrada no rosto.
-Eu quero, mas...
Ela pulou no colo dele e começou a beijá-lo de novo.
-Mas o que, Carlos? - sussurrou em seu ouvido.
Carlos estava embriagado pelo toque dela. Não conseguia pensar com clareza enquanto ela estivesse sobre ele, provocando-o.
-Deixa eu brincar com você...
Sentiu seu peito se abrir em dois. Era como se aquelas palavras o dividissem no meio, despertando-o do transe, cortando-o ao meio... Ele não queria brincar com ela.
-Deixa, Carlos.
Ela segurou o rosto dele com suas mãos e começou a sugar o lábio superior dele. Sentiu uma lágrima escorrer entre seus dedos, e lambeu a gota solitária escorrendo pela bochecha dele. Segurou uma das mãos dele em sua coxa, e começou a desliza-la para cima enquanto mordiscava a orelha dele.
Ele sentiu o ar saindo lentamente do seu corpo, dissolvendo seus pensamentos. Não chorou mais, só apertou a bunda dela com vontade.
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