quinta-feira, 28 de abril de 2016

De quando eu tive um sonho com vampiros, elfos e amuletos. - PARTE 1

Hoje eu acordei ofegante. Tive um sonho incrível e medonho.
Eu estava no quarto de uma casa desconhecida, completamente perdida. Eu não sabia quem eu era e porque eu estava ali. Em volta de mim haviam malas e muitas roupas e joias espalhadas pelo chão e uma cama de casal king size. Na minha frente, estava uma criança muito bonita, de cabelo cinzento comprido e olhos enormes e da cor dos olhos de uma cobra, só que num tom um pouco mais aguado.
Olhei em desespero para ela, tentando entender o que estava acontecendo, e ela logo entendeu.
"Acho que acabou o feitiço de novo, né? Fica tranquila, você trabalha pra minha família."
Por alguma razão aquelas palavras de fato me tranquilizaram. Aquela criança estranha sorriu para mim, e eu sorri de volta. Olhei em volta de mim de novo, e entendi que deveria guardar aquelas coisas dentro da mala. Comecei o meu trabalho com a sensação de que já fizera aquilo milhares de vezes.
Nas malas eu tinha que guardar muitas roupas e tecidos, mas não porque eles precisavam delas. Aparentemente eram as joias que importavam, as roupas eram só uma forma de assegurar que não se quebrassem no trajeto.
Continuei minha tarefa por um bom tempo. Pessoas entravam e saíam daquele quarto falando coisas estranhas. Depois descobri que haviam outras pessoas como eu, trabalhando para eles - todos eram tratados como escravos ou algo ainda pior.
Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas aos poucos fui recobrando a lucidez. Eu ainda não sabia quem eu era, mas ao menos tinha certeza que a natureza daquelas pessoas tão bonitas não era a mesma que a minha.
Subitamente escutei um grito no andar de baixo. Os gritos se aproximavam, até que uma pessoa entrou no quarto desesperada. Nesse momento estávamos sós no quarto. Era um rapaz magro, baixo e forte. Seus olhos estavam arregalados de horror, fixos nas joias que eu estava embalando. Alcançou o objeto mais próximo de si, um castiçal de ouro com cristais penduricados, e algo muito estranho aconteceu. Aquele homem, que havia chegado àquele quarto tomado de pânico, desaparecera diante dos meus olhos como se nunca estivesse ali.
Fiquei alguns segundos pasma olhando para o lugar onde ele estava instantes antes, e foi assim que o patriarca daquela família sinistra encontrou o pobre rapaz. Um ser horrível entrou pela porta. Eu sabia que era alguém relativo àquela criança que estivera ao meu lado. Seus cabelos também eram compridos e cinzentos e seus olhos tinham uma cor feia e aguada. Porém seu rosto estava desfigurado, como de um monstro. A boca parecia a de um demônio, enorme e cheia de dentes. Não tinha os chifres do diabo, mas as asas sim. A pele, que da criança era pálida e cremosa, tinha um aspecto morto, cheio de veias saltadas.
Agarrou o ar com suas garras e vi o rapaz ser arremessado para o outro lado do quarto, deixando cair o castiçal e quebrando os cristais em mil pedacinhos.
Os demonios que antes caçavam o homem na minha frente voltaram a ser seres belíssimos e plácidos. Correram em direção ao castiçal tentando salvar a joia de alguma forma, mas estava arruinada. O rapaz, caído ao meu lado, estava morto.
Olhei novamente para a mesma criança que estava ao meu lado e ela novamente sorriu para mim.
"Está tudo bem."
Retribuí o sorriso e voltei à minha tarefa.

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